Áreas Urbanas e Rurais: Análise Crítica

As áreas ocupadas para uso agrosilvopastoril no Município de Petrópolis (MP) estão fragmentadas em centenas de pequenas propriedades espalhadas- e não concentradas em áreas contíguas- por todo território do município, só podendo ser identificadas em mapas na escala 1/1.000. Portanto, nas escalas adotadas para zoneamento de uso de solo,  1/10.000 ou 1/25.000, não há como identificar áreas e propriedades de produtores rurais. Essa identificação só poderá ser feita  através de um cadastramento no campo, não mapeável,  pela Secretaria de Agricultura do Município, opção demorada, cara e sujeita a atualização constante.

No caso específico de Petrópolis, com suas características peculiares em extensão, topografia e ocupação do solo devemos pensar em zonas que tenham  suas características próprias e distintas das demais. Atendendo a essa premissa, salta aos olhos o conceito de bacia hidográfica, como aquele que melhor representaria a divisão adequada de zoneamento de uso do solo.

Cada bacia, ou sistema hídrico, já possue sistema próprio de transporte público, escolas, posto médico,  sistema viário, adensamento populacional definido pelo IBGE, vocação própria e obviamente, sua  hidrologia própria em função das declividades dos morros nela constantes.

Cada bacia, ou sistema hídrico, poderia ser classificada por sua topografia, cobertura vegetal, mata atlântica, APPs, Unidades de Conservação de Proteção Integral, RPPNs, declividade dos morros, áreas suscetíveis à inundações e aos deslocamentos de massa sem e com (áreas de risco) ocupação antrópica, produção de água,  sistema de esgoto, distribuição de energia etc…. Sob o enfoque urbanístico, com todas essas informações, seria mais fácil seu planejamento, baseado na vocação atual e na visão de futuro, onde a água será recurso cada vez mais escasso e valorizado.

Entendemos que a determinação de zoneamento deve ser uma atribuição da Lei de Uso, Parcelamento e Ocupação de Solo (LUPOS) que ainda vai ser revista .

O Projeto de Lei que delimita as macrozonas nos seus Art. 2º em diante, nos parece que se trata mais de matérias típicas da LUPOS, do que da delimitação da àreas urbanas como determina a legislação vigente ( Estatuto das Cidades e Plano Diretor de Petrópolis).  Acrescentemos  a isso que, a proposta de Lei apresentado,  ainda estabelece diretrizes na área agrícola , tributária, estrutura e geotecnia, saneamento e defesa civil.

Assim sendo acreditamos que a delimitação das áreas urbano e rural deve ser feita de acordo com o Projeto de Lei em anexo e respectivo mapa.

  • Encontre AQUI a proposta da NovAmosanta (download: formato MS Word).
  • E AQUI a proposta da Prefeitura (site da prefeitura).

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Produtores Rurais não Querem Ampliação de áreas Urbanas e Temem Impactos em Mananciais

[Diário de Petrópolis]

Projeto de Lei debatido no Bonfim, será levado ao Caxambú e aos distritos em novembro

A possibilidade de ampliação de zonas urbanas da cidade sobre áreas rurais, proposta em um projeto do Executivo enviado à Câmara de Vereadores, preocupa produtores rurais de diferentes pontos da cidade. Hoje em Petrópolis, pelo menos 800 famílias sobrevivem de atividades no campo. Além dos impactos nas nascentes e mananciais – que hoje abastecem toda cidade e que, de acordo com o chefe da APA-Petrópolis, Sérgio Bertoche, serão comprometidos pela urbanização – o adensamento populacional, e o impacto na mobilidade urbana destas regiões, preocupa os produtores. O assunto foi debatido com moradores e produtores do Bonfim, na noite de quinta-feira (22) durante a primeira, de quatro audiências públicas itinerantes que serão realizadas pela Câmara de Vereadores nas comunidades rurais.

“Percebemos que os produtores estão conscientes do papel das áreas rurais para a preservação dos mananciais da cidade. As preocupações deles, com os impactos do adensamento que acontecerá se a lei for aprovada nos moldes em que está sendo proposta pelo Executivo, se somam às da Câmara. Esta é uma questão importante para toda a cidade, por isso vamos levar este debate às demais comunidades rurais, ouvir os técnicos e a população. A ideia é fecharmos o ciclo de discussões com uma audiência pública no plenário da Casa antes da votação deste projeto”, explica o presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Igor (PMDB).

“Queremos preservar a região do Bonfim com as características que temos hoje. A especulação imobiliária preocupa todos que vivem aqui, em espacial, às famílias que sobrevivem da produção rural e que tiram seu sustento desta terra”, diz o presidente da associação de produtores do Bonfim, Marco Antônio Coelho, lembrando que hoje pelo menos 85 famílias no Bonfim sobrevivem da produção rural, 70 delas cadastradas à associação.

A próxima reunião acontece no dia 4, no Caxambú. “Hoje o Caxambú sofre com a falta de água. Existem casos de famílias que perderam toda a produção dos últimos meses; outras que, por conta da estiagem, não estão tendo condições de dar continuidade ao cultivo. É preciso que não só os produtores, mas que toda cidade esteja ciente de que não se pode apoiar um projeto que vai reduzir ainda mais o nível de água nos mananciais”, pontua o representante dos produtores do Caxambú, Joaquim Sérgio Lage.

“Embora os produtores ainda tenham muitas dúvidas sobre o projeto, o que percebemos nesta primeira audiência é que eles não concordam com o que foi proposto pelo Executivo. Vivemos um momento em que a estiagem já compromete o abastecimento em diferentes pontos da cidade. No Bonfim, os produtores vêm adotando medidas para preservar a água. O crescimento populacional nesta área vai comprometer os mananciais, que são uma grande riqueza da nossa região, isso está sendo apontado pelos técnicos e precisa ser considerado”, frisa o presidente da Comissão Especial do Plano Diretor da Câmara, vereador Silmar Fortes (PMDB).

As audiências itinerantes discutirão o assunto com produtores dos distritos de Itaipava, no dia 16 de novembro, e da Posse, no dia 23.

Aumento de arrecadação x falta de água

O projeto, protocolado pelo Executivo na Câmara em agosto para ampliar as áreas urbanas em detrimento às rurais da cidade, visa aumentar a arrecadação do município. Mas, de acordo com especialistas, as mudanças põem em risco as nascentes e mananciais que abastecem a cidade. O ambientalista e chefe da APA-Petrópolis, Sérgio Bertoche é categórico ao afirmar que o crescimento populacional nas áreas rurais, ordenado ou não, vai impactar de forma negativa a produção de água no município. “Isso acontece porque a urbanização atrai mais pessoas para a região, o que significa mais construções, calçamento e pavimentação, por exemplo. Tudo isso provoca a impermeabilização do solo e compromete os mananciais”, explica Bertoche.

Se aprovada, a lei permitirá que donos de propriedades que hoje pagam Imposto Territorial Rural (ITR), passem a pagar IPTU, que é mais caro, o que irá elevar a arrecadação do Município. “Ninguém questiona a intenção do governo de aumentar a arrecadação de impostos, cobrando o IPTU de imóveis que não têm hoje atividades rurais. Mas da forma que isto sendo proposto, com a ampliação das áreas urbanas, irá influenciar diretamente no parcelamento do solo. O crescimento populacional destas áreas, vai causar prejuízos a toda cidade, principalmente no que se refere à questão das nascentes e dos mananciais, que abastecem todo o município”, alerta o ambientalista.

O Executivo alega que a nova delimitação é necessária, por conta do crescimento populacional, de 27,42%, registrado nos distritos de Itaipava, Pedro do Rio e Posse nos últimos 10 anos. O projeto aponta ainda que por conta do crescimento demográfico, antigas áreas rurais nos distritos já receberam urbanização.

Para entrar em vigor, o projeto precisa ser votado em plenário e aprovado pelos vereadores. “A participação da população nas audiências públicas é importante, pois as sugestões apresentadas poderão nortear emendas ao projeto”, frisa o presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Igor.

Prefeitura Realiza Audiências Públicas para Delimitar áreas Rurais e Urbanas – Dia 20 agora a Segunda Audiência

Foto Trens & Cia. - Jorge a. Ferreira Jr.

Com o objetivo de atualizar os limites urbanos e rurais do município, a Prefeitura realiza nos dias 10 e 20 de agosto, audiências públicas para a elaboração de um projeto de lei que irá delimitar essas áreas. A primeira reunião será realizada no auditório da Casa dos Conselhos Municipais Augusto Ângelo Zanatta, a partir das 19h. O segundo encontro será na Escola Monsenhor João de Deus, em Pedro do Rio, às 19h30.

“Petrópolis tem crescido muito e é necessário saber quem mora na área urbana e quem vive na área rural. A cidade foi estudada e analisada, levando em conta os novos loteamentos aprovados e os critérios estabelecidos pelo Código Tributário Nacional para a definição do que é área urbana. A partir desses princípios foi redigida uma minuta de lei e elaborado um mapa que formaliza as questões e delimita a nova configuração das áreas urbanas do município”, explicou o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Robson Cardinelli.

Esse estudo feito pela Prefeitura será apresentado nas audiências públicas, onde a população poderá discutir e apresentar propostas para a elaboração do decreto. “É muito importante a participação da população, qualquer pessoa pode participar e contribuir para a elaboração dessa lei”, ressaltou o secretário. Depois de elaborado, o projeto de lei será encaminhado a Câmara Municipal para votação.

Dia 20 de Agosto – Quinta – 19:30
Escola Monsenhor João de Deus, em Pedro do Rio

http://petropolis.rj.gov.br/pmp/index.php/imprensa/noticias/item/3671-prefeitura-realiza-audi%C3%AAncias-p%C3%BAblicas-para-delimitar-%C3%A1reas-rurais-e-urbanas.html