Quem vai Administrar a Estrada União-indústria?

Com a decisão judicial, descrita na categoria UniãoIndústria desse blog, o DNIT ficou obrigado a retomar a administração da estrada, elaborando o projeto executivo da reforma e reconstrução do trechos entre o Retiro e Pedro do Rio, executando a obra e fazendo a administração e manutenção da estrada após a conclusão da obra.

Sob a alegação de que a estrada, a partir da inauguração da BR-040, deveria ser administrada pela Prefeitura Municipal de Petrópolis (PMP) o DNIT procurou a PMP e propôs duas alternativas:

  • (i) liberar para a PMP a quantia de R$ 60 milhões para que esta executasse a obra;
  • (ii) o DNIT realizaria a obra, em ambos os casos com a condição que a PMP assumisse a administração e manutenção da estrada.

Alegava ainda que o retorno da administração para o DNIT implicaria no  seu enquadramento às normas do departamento que incluiria, entre outros:

  • fiscalização pela Polícia Federal;
  • sinalização de rodovia;
  • eliminação de semáforos, redutores de velocidade e quebra-molas, marcação da faixa de domínio da União ( 15 metros a partir da lateral da pista asfaltada);
  • desapropriação e remoção das construções dentro dessas faixas, a não utilização das sugestões da PMP consideradas mais apropriadas para as interseções da estrada etc…

A PMP por seu turno, entendeu que a aludida  transferência de um bem da União teria que ser precedida de aprovação pelo Congresso Nacional e que não teria condições financeiras para suportar esse novo encargo.

Membros da sociedade civil procuraram o Ministério Público Federal, autor da ação contra o DNIT, em busca de uma possível conciliação entre as partes. O MPF se recusou a conversar com a PMP porque essa não fazia parte do processo.

Formado o impasse, a sociedade civil  assiste um problema burocrático impedir que o desenvolvimento de uma solução parcial de seus problemas de mobilidade urbana seja aplicado para o bem de todos.

Ministério Público Federal pede Suspensão de Obras na BR-040

[ref. Flávia Villela, da Divulgação/DNIT Rodovia federal BR-040, em Minas Gerais]

Na ação, são apontadas irregularidades na construção da nova pista da rodovia, no trecho da subida da serra em direção a Petrópolis, na região serrana do estado.

O Ministério Público Federal (MPF) em Petrópolis, no Rio de Janeiro, entrou hoje (27) com ação civil pública, com pedido de liminar, para que a concessionária Concer interrompa as obras de um túnel de 5 quilômetros na duplicação da Rodovia Rio-Petrópolis (BR-040) e contrate, em até 30 dias, uma empresa para fazer a auditoria de segurança viária de todo o projeto, sob pena de multa diária de, no mínimo, R$ 300 mil.

Na ação, são apontadas irregularidades na construção da nova pista da rodovia, no trecho da subida da serra em direção a Petrópolis, na região serrana do estado. As irregularidades foram constatadas por uma perícia do MPF.

Caso não seja feita a readequação do projeto viário conforme relatório da auditoria de segurança viária e o projeto executivo da obra não seja submetido à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Ministério Público pedirá a suspensão total das obras na BR-040 e da cobrança do pedágio na praça anterior à subida da serra, em Xerém, município de Duque de Caxias.

O MPF destaca que as obras iniciadas carecem de projeto executivo, o que pode causar atrasos na execução dos trabalhos, “além de trazer aumentos elevados no custo total do empreendimento, com graves prejuízos aos cofres públicos”. De acordo com o Ministério Público, o projeto não foi submetido a auditoria de segurança viária e não atende aos requisitos de segurança.

A ação pede também que a União suspenda qualquer repasse de recursos para o empreendimento. A ANTT, que autorizou o início das obras, também é ré na ação, visto que, segundo o MPF, a autorização ocorreu após a triplicação do custo do empreendimento e sem a definição da origem dos recursos necessários.

O custo inicial da construção da nova pista da BR-040 em direção a Petrópolis foi estimado em R$ 80 milhões, em 1995, pelo Programa de Exploração da Rodovia, valor que, corrigido, chegaria hoje a R$ 280 milhões. Conforme o MPF, o projeto apresentado e aprovado pela Concer foi orçado em quase R$ 900 milhões, o triplo do valor original, e o Ministério dos Transportes sugeriu que os recursos viessem da União. Por esse motivo, o Ministério Público defende a realização de uma nova licitação para a obra.

A Concer informou, por e-mail, que não foi notificada até o presente momento sobre a ação e que o projeto do trecho da nova subida da serra na BR-040 foi desenvolvido e está sendo executado dentro das melhores técnicas de segurança, tendo “a Concer todas as licenças necessárias no que diz respeito às normas e práticas de segurança”.

Até o fechamento da matéria, a ANTT não havia se pronunciado a respeito da ação do MPF, como solicitado pela Agência Brasil.

NovAmosanta no Grupo Paritário de Trabalho da CONCER

Temos a grande satisfação de anunciar que a NovAmosanta foi convidada pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres para compor o Grupo Paritário de Trabalho (GPT) – da Concessionária de Rodovias “Concessionária Companhia de Concessão Rodoviária de Juiz de Fora – CONCER”.

Participaremos do grupo na qualidade de “Representante dos Usuários”.

O objetivo do  Grupo Paritário de Trabalho é tratar e discutir sobre possíveis adequações quanto à qualidade e eficiência dos serviços prestados pela concessionária.

Desnecessário frisar a grande importância da estrada BR-040, inclusive sua nova pista de subida, para as atividades do município de Petrópolis e dos Distritos em particular.

A NovAmosanta, ao participar do Grupo, estará atenta aos interesses da sociedade dos distritos e ao imperativo de que sejam corretamente atendidos nos serviços que a concessionária presta ao Estado.

Farão parte do Grupo, em nome da NovAmosanta e dos cidadãos dos Distritos, nossos diretores Jorge de Botton – titular, e Fernando Varella – suplente.

Roberto Penna Chaves
NovAmosanta – Presidente

Estrada União-Indústria – Carta Enviada à CPTrans em 11/12/2013

Sr. Diretor -Presidente CPTrans:

Com relação á reunião do dia 19/11 temos as seguintes considerações a fazer:
  1. O DNIT é o responsável pela administração da estrada União Indústria segundo determinação judicial da 2ª Vara Cívil em 2012. Portanto qualquer projeto ou obra só poderá ser feito com a concordância daquela órgão federal;
  2. A PMP está estudando no momento a assinatura de um Convênio com o DNIT pelo qual assumirá a administração da estrada. Um projeto já foi realizado pelo DNIT para a recuperação e reforma dessa estrada, sendo esse projeto avaliado e revisto pelo DEURB da PMP. O assunto discutido na reunião do dia 19/11 está dentro do escopo do projeto de recuperação da estrada.
  3. Esse projeto está sendo executado por técnicos especializados pela área de Transporte e Tráfego que decidirão qual a melhor alternativa  a ser usada á luz da legislação vigente, da boa técnica de engenharia e , segundo esperamos, após  ser apresentado para discussão com a sociedade.
  4. Quando a sociedade for avaliar o projeto deverá atentar, no nosso ponto de vista, para:(i) o cumprimento da Resolução do CONTRAN nº 39/98; (ii) o local, que é um dos pontos de maior risco para os pedestres ( mas não o único); (iii) uma  previsão de  travessia segura para os pedestre, restrito a determinadas faixas de travessia;  (iv)  a necessidade de aumento da velocidade de tráfego, em decorrência dos prejuízos econômicos advindos dos congestionamentos de tráfego, do crescimento previsto do tráfego a uma taxa média de 3% a.a.( TOMO 3- Estudos de Tráfego elaborado pela ENGESUR) e da expansão imobiliária em curso em Correas e Nogueira. Atualmente, aos sábados o o fluxo de veículos é de 10.500 veículos/dia sentido Pedro do Rio e 11.500 veículos/dia sentido Centro- Petrópolis.
Outras providências poderão ser realizadas imediatamente pela CPTRans como : definição quanto ao tráfego de carretas e caminhões; agentes de trânsito, que no entender da maioria dos presentes á referida reunião é imprescindível ao cumprimento de qualquer projeto.

Atenciosamente,
Roberto L Penna Chaves
Novamosanta

União Indústria: Detalhe de Melhoria Provisória em Bonsucesso

1. O estrada U.I. está sob administração federal (DNIT), conforme decisão judicial amplamente divulgada. Qualquer alteração, modificaçào, acréscimo ou qualquer outra forma mexer com a estrutura, arquitetura, drenagem ou sinalização da rodovia tem que ser acordado com o DNIT.

2. A PMP vem aprovando conjuntos habitacionais (estima-se com mais de 1.000 unidades residenciais) no eixo Nogueira-Correas sem planejar e construir uma infraestrura adequada.

3. No caso específico do tráfego, o crescimento da frota de veículos aliado á falta de um sistema viário local que possa absorver esse crescimento, provoca em pontos críticos redução expressiva da velocidade do trânsito e consequente engarrafamentos.

4. A artéria principal para o escoamento do trânsito nos distritos é a União Indústria.

5. Nessa via já ocorreram inúmeros acidentes, em pontos diferentes, alguns deles fatais. Não se tem conhecimento de um ponto onde a ocorrência seja maior e portanto exija um cuidado especial no projeto de recuperação da rodovia.

6. Pela falta de ação da PMP, populares construíram redutores de velocidade, sem autorização do DNIT/PMP e fora e os padrões exigidos pelo CONTRAN o que infringe a legislação vigente.

7. A falta de agentes de trânsito e as regras de tráfego com definição de horários para passagem de caminhões são cobradas pelos moradores locais a tempos e a PMP nada fez até agora.

8. A União Indústria apresenta poucas entradas e saídas. Estando com fluxo de veículos, em certos trechos, acima de sua capacidade, é preciso estudar formas de melhorar as interseções nesses pontos e/ou criar novas entradas e saídas, o que é perfeitamente possível.

9. Uma reforma no projeto da UI com um projeto de engenharia de trânsito adequado e uma ação efetiva da PMP, poderá resolver o problema.

10. A situação da entrada de Bonsucesso tem que ser equacionada à luz do que foi acima exposto;

11. A reunião do dia 19 de novembro de 2013 apresentou algumas providências de caráter emergencial e provisório, até que se tenha um projeto do sistema viário completo á luz da boa técnica de engenharia;

12. Nessa reunião tinha representantes do comércio de Bonsucesso e representantes da Hotelaria e Comércio de outras localidades que estão sofrendo os impactos econômicos advindos dos congestionamentos de trânsito constantes. Indagados sobre a retirada do redutor de velocidade existentes, sua substituição por piso intertravado colorido e sinal com temporizador ou lombada eletrônica, essa proposta teve aprovação esmagadora, desde que conjugada com a supervisão de agentes de trânsito.

Sistema Viário para Petrópolis Reune a Sociedade Civil com a Prefeitura: Mais ações são Necessárias

Em 19 de novembro a sociedade civil reuniu-se com representantes da Prefeitura de Petrópolis para conhecer o andamento do planejamento do Sistema Viário do Município.

Compareceram pela Prefeitura o secretário de obras  Aldir Cony, o subprefeito Botafogo e o presidente da CPTrans, Gilmar de Oliveira. O Prefeito, aguardado, não pôde estar presente devido a outro compromisso, agendado de última hora.

A convite do vereador Maurinho Branco compareceram representantes do setor hoteleiro, do comércio local e de organizações não governamentais, a UDAM- União Distrital de Associação de Moradores e a NovAmosanta.

Gilmar (CPTrans) deu inicio à reunião avisando que só falaria da interseção da entrada de Bonsucesso – rotatória e redutor de velocidade em frente ao Armazém do Grão: a eliminação da rotatória e sua substituição por piso intertravado colorido mais sinal ou lombada eletrônica foi bem recebido.

O estudo conceitual de mudança da rotatória foi muito criticado pela maioria dos presentes.

Além desse assunto os presentes apresentaram várias questões que consideream de suma importância:

  • a falta de agentes de trânsito sem os quais nenhum projeto funcionará;
  • a falta de definição de horários para circulação de caminhões para entrega de mercadorias;
  • a necessária proibição de passagem de carretas pela União Indústria;
  • a elaboração de um “Plano Verão” para medidas para enfrentar o trânsito nesse período;
  • a rotatória em frente ao supermercado BRAMIL construída de forma absolutamente inadequada;
  • sistema viário sem capacidade para fluir o aumento de tráfego provocado pelos empreendimentos imobiliários em implantação e sem que a autoridade pública tenha tido a menor preocupação quanto ao impacto na infraestrutura existente nos distritos;
  • falta de um planejamento do sistema viário integrado de forma a ter projetos prontos se formos chamados a apresentá-los numa segunda fase do PAC 3-Mobilidade Urbana Médias Cidades; a experiência mostra que o prazo é sempre curto para a apresentação dos projetos.

O arq. Urbanista Fernando Pereira da Cunha apresentou, como contribuição, um estudo minucioso das intervenções da União Indústria no trecho compreendido de Samambaia até Pedro do Rio.

Aguarda-se uma reunião do Exmo. Sr. Prefeito com o DNIT para definir o Convênio para a recuperação da União Indústria e sua posterior administração.

Da Reunião com a NovAmosanta ao Gerenciamento da União e Indústria pelo Município

Uma reunião entre o prefeito Rubens Bomtempo e o engenheiro Celso Crespo, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), prevista para acontecer nesta sexta-feira, deve definir a forma como o gerenciamento da Estrada União e Indústria vai passar para a Prefeitura. Independente da forma, o certo até o momento é que o DNIT tem R$ 60 milhões para investir na Estrada, o que pode ser feito diretamente ou por meio de repasse de recursos para que a administração municipal faça as obras de melhorias.

A indecisão sobre quem é o responsável pelas obras na Estrada União e Indústria já dura há vários anos e foi motivo de ações pelo Ministério Público Federal, onde o DNIT foi condenado a realizar as melhorias. Em 2010, chegou a realizar algumas obras por decisão judicial, num investimento de R$ 2,65 milhões, entre os quilômetros 58 e 84, que vai do Retiro a Pedro do Rio. Neste trecho foram realizados obras de pavimentação, instalação de meio-fio, construção de muro de gabião, drenagem da pista, serviços de tapa buracos e outros.

O presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da Câmara Municipal, vereador Maurinho Branco (SDD) espera que saia uma solução e acredita no interesse do prefeito em assumir o gerenciamento da Estrada por sua importância para área urbana dos distritos. Assim como ele, os demais vereadores que moram nos distritos denunciam o péssimo estado da União e Indústria em vários trechos, colocando em risco a vida de milhares de petropolitanos e quem passa pela região dos distritos usando a esta via.

A notícia sobre o investimento de R$ 60 milhões do Governo Federal e a falta de interesse do DNIT desde a inauguração da BR-040 surgiu numa reunião promovida pela ong NovAmosanta, onde o engenheiro Celso Crespo falou do interesse em passar o gerenciamento para Prefeitura.

Na reunião, o representante do DNIT disse que a União e Indústria é hoje uma via que atende os interesses da municipalidade e ao longo dos anos transformou-se numa via com todas as características urbanas.

União e Indústria: Carta ao Prefeito Bomtempo em 19/10/2013

Exmo. Sr. Prefeito Rubens Bomtempo:

Na última terça feira, dia 15, tivemos a oportunidade, junto com o Arq. Urbanista e morador do Vale do Cuiabá, Fernando Pereira da Cunha, de olhar a revisão do projeto do DNIT da Estrada União Indústria.

Essa revisão que está sendo realizada pelo Arq. Orlindo Pozzatto (DEURB) nos pareceu muito boa, bem executada e levando em consideração o desenvolvimento do sistema viário integrado de Itaipava.

Nessa revisão a União Indústria é considerada a artéria principal do sistema viário, a qual se conectarão  vias secundárias que redistribuirão e desafogarão o tráfego nessa artéria e Itaipava de um modo geral.

Pensamos que, como a referida revisão está concluída, devemos procurar logo  um contato com o DNIT visando o convênio proposto desse órgão federal com a Prefeitura de Petrópolis.

Essa nossa preocupação faz sentido, considerando o alerta que nos foi transmitido pelo Eng.º Celso Figueira Crespo do DNIT, em almoço realizado em 29 de agosto p.p., no qual chamou atenção que a verba disponibilizada ( 60 milhões de reais ) para a obra de recuperação da rodovia, poderia ser transferida para outro projeto, caso a PMP demorasse na decisão sobre o referido convênio.

É no espírito de cooperação que tem regido nossa relação que solicitamos seus ofícios no sentido de resolver o mais breve possível essa matéria que é de interesse de todos nós.

Atenciosamente,

NovAmosanta
Roberto L. Penna Chaves – Presidente

(enviada por e-mail em 19/10/2013)

DNIT AGUARDA CONVÊNIO COM A PMP PARA INVESTIMENTO NA UNIÃO E INDÚSTRIA

[Matéria publicada no jornal Folha de Itaipava, edição 79, outubro de 2013 – Autor: Luciano do Carmo]

O engenheiro Celso Crespo, do DNIT, garante a verba de R$60 milhões para investimentos na Estrada União e Indústria.

A novela “Quem é o dono na União e Indústria?”, que se arrasta desde a década de 80, promete ter um final feliz nos próximos meses. Isso porque a solução para esse “conflito de interesses”, que vem sendo travado em meio a ações do Ministério Público Federal, decisões judiciais e pequenas obras de melhorias, parece que agora está bem perto de um solução. Em reunião realizada recentemente, em Itaipava, por iniciativa da Ong NovAmosanta, o superintendente substituto do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no estado, Celso Figueira Crespo, foi categórico ao afirmar que o Governo Federal se compromete a investir R$ 60 milhões em melhorias na estrada, tendo apenas como contrapartida a assinatura de um convênio de transferência do gerenciamento da rodovia com a Prefeitura de Petrópolis.

Ou seja: o DNIT quer entregar a estrada (hoje uma via de características totalmente urbanas) para a Prefeitura, mas exige com isso que o governo do município a adote de papel passado. Propôs duas alternativas: ou a Prefeitura adota e recebe imediatamente os R$ 60 milhões ou o DNIT realiza as obras de recuperação e a Prefeitura adota a estrada ao término das obras. Nada tão difícil assim, principalmente pelo fato do investimento que será feito pela União. “A União e Indústria é hoje uma grande artéria que está vinculada aos interesses locais, e já não está nos planos do DNIT desde que foi inaugurada a BR-040. A própria legislação nos impede de fazer investimentos nessa via, por suas características urbanas”, explicou Crespo.

Porém, uma decisão judicial, em 2010, obrigou que a União viabilizasse a recuperação da estrada, entre os quilômetros 58 e 84, trecho entre o Retiro e Pedro do Rio. O órgão investiu à época R$ 2,65 milhões na estrada em pavimentação, instalação de meio-fio, construção de muro de gabião, drenagem da pista, serviços de tapa buracos, entre outros. A ação, que resultou na condenação da União, foi proposta em 2005 pelo MPF. Nela, a procuradora Vanessa Seguezzi denunciava o péssimo estado de conservação da rodovia e o abandono do trecho entre Petrópolis e a divisa com Minas Gerais. A sentença foi assinada pelo titular da 2ª Vara Federal, juiz Fábio Nobra Brandão, em outubro de 2009. O objetivo da ação civil pública proposta pelo MPF era garantir a segurança de motoristas que precisam utilizar a rodovia.

Até então, o impasse sobre quem era o responsável pela manutenção da centenária União e Indústria (a primeira rodovia pavimentada do Brasil), que perdurava por mais de 20 anos, ocasionou o abandono da rodovia no trecho entre Petrópolis e Areal. Agora, finalmente, a situação poderá ter um final feliz.

O DNIT tem um pronto um projeto de engenharia com intervenções na estrada ao longo dos 26 quilômetros que cortam a cidade, mas não descarta a possibilidade de ajustes a esse projeto, por parte da Prefeitura, atendendo aos anseios e necessidades locais. O  representante da Prefeitura de Petrópolis na reunião, o diretor de urbanismo Orlindo Pozzato, garante que a Prefeitura vai agilizar essa transferência, pois “trata-se de interesse do prefeito Rubens Bomtempo resolver definitivamente essa questão”. Porém, ele ainda não apresentou as modificações necessárias ao órgão federal.

Enfim, todos sabemos que filho feio não tem pai. Mas adotar um filho com um dote de R$ 60 milhões, pensando bem, não é uma tarefa tão árdua assim.

Concer não usa Verba Disponível para Melhorar Rodovia

[Diário de Petrópolis – Domingo, 20 de outubro de 2013]

Média é de R$ 7 milhões anuais oferecidos às concessionárias

Anualmente, as concessionárias de rodovias federais têm à sua disposição, em média, R$ 7  milhões para serem usados em pesquisas tecnológicas que melhorem as condições das estradas. Da primeira “leva” de empresas que assumiram rodovias privatizadas no final da década de 90, a Concer, que administra a BR-040, entre Rio-Juiz de Fora, não usa os recursos que são provenientes de 0,25% do que os usuários pagam em pedágio, a receita bruta da concessionária para investir em tecnologia.

Até 2010, cinco concessionárias somavam 21 projetos. NovaDutra conseguiu verbas para seis; Concepa e Ponte executavam cinco projetos cada; a AutoPista desenvolvia três estudos e a CRT tinha em curso uma pesquisa.

“A Concer era a única que não usou a verba que dispunha para nenhuma melhoria”, protesta o deputado estadual Bernardo Rossi (PMDB).

Esta nova informação, que não é divulgada ao usuário, será anexada ao relatório da Comissão Especial que está sendo instituída na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para fiscalizar as obras da nova pista de subida da Serra.

– Mesmo não estando atrelado diretamente à nova obra, ele é importante porque mostra o quanto a concessionária, nesses 17 anos de administração da rodovia, deixou de investir nas atuais pistas o que pode comprometer também a manutenção da nova subida da Serra”, aponta Bernardo Rossi.

Para o parlamentar, a dispensa do uso de novas tecnologias fizeram com que as pistas atuais chegassem ao estado que se encontram. “Enquanto a nova pista de subida não fica pronta, a atual, em uso por 20 mil veículos ao dia e, sem investimentos, vai se degradando a cada dia”.

A importância desses estudos pode ser medida pela sua aplicabilidade nas estradas e pelo farto material que geram na área de tecnologia de engenharia. Segundo a própria ANTT, Agência Nacional de Transportes Terrestres, que regula o setor e que implantou a norma criando a possibilidade de uso desses recursos, vários desses estudos tiveram seus resultados apresentados em congressos, sendo que alguns deles tornaram-se tema de pesquisas de mestrado e doutorado, além de um dos estudos ter contribuído para a elaboração de uma norma técnica.

A ANTT organiza workshops anuais para difundir o conhecimento científico e tecnológico gerado nesses estudos, promovendo também a aproximação entre as concessionárias e instituições de pesquisa de todo o Brasil.

A aplicação dos Recursos para Desenvolvimento Tecnológico (RDTs) foi estabelecida pela Resolução nº 483, de 24 de março de 2004. Eles devem ser usados na área de engenharia rodoviária, sendo que para sua utilização as concessionárias devem possuir projetos de pesquisa aprovados pela ANTT. Passados seis anos de seu uso ter sido estabelecido, a Concer ignorou a verba disponível.

– Esse recurso sai do bolso de todos nós que passamos pela praça de pedágio dos 180 quilômetros da rodovia. “Pela resolução, os recursos não utilizados são revertidos para forçar o cálculo tarifário para menos, mas com um pedágio a R$ 8, nem sentimos essa diferença”, observa Bernardo Rossi. E continua, “Enquanto isso subimos e descemos a serra com pistas esburacadas, sem telefonia e sem iluminação”, protesta Bernardo Rossi.

Outras concessionárias usaram a verba e já aplicam os avanços na prática

Em 2009, em artigo em sua revista anual, a ANTT, assinalava: “CRT e a Ponte são as que mais utilizam a verba para pesquisa. A Concepa vem aplicando somas consideráveis dos recursos disponíveis, embora em 2008 tenha reduzido seus gastos. A NovaDutra, desde o início da concessão, vem utilizando menos da metade da verba; e a Concer nos últimos dois anos não apresentou nenhum projeto de Desenvolvimento Tecnológico”.

A CRT, por exemplo, criou um tipo de tinta para sinalização rodoviária horizontal, a base de resina acrílica emulsionada em água. O desenvolvimento deste trabalho respondeu a uma tendência mundial de preocupação com o meio ambiente.

Já a Ponte, que administra a Ponte Rio-Niterói, usou a verba para monitorar selos de gesso que levaram à descoberta de problemas de relaxação nos cabos de protensão da estrutura, até então impensados, e que poderiam ter causado sérios problemas de segurança.

No seu relatório anual de 2012, a Concer informava que estava usando – sem mencionar valores e resultados práticos – o RDT em uma pesquisa de desempenho de diferentes espécies vegetais. Eles estariam estudando paisagismo, recuperação de áreas degradadas e aplicação dessas plantas em taludes.

Dois anos, em 2010, em seu relatório comemorativo de 15 anos à frente a concessão Rio-Petrópolis-Juiz de Fora,  a Concer divulga que “financia um estudo da Coppe/UFRJ na BR-040 que analisa o  desempenho de pavimentos com a utilização de dois  tipos de  misturas asfálticas sobre  tráfego  real. O  objetivo  da  pesquisa  é desenvolver  um  tipo  de  massa  asfáltica mais durável e de menor custo”.

– Queremos saber onde está este estudo e quando essa tecnologia vai ser aplicada para nos livrar dessa buraqueira que são as pistas da BR-040, em especial na Serra”, completa Bernardo Rossi.

——